Nero e Seu Governo Cruel Marcado Pela Perseguição aos Cristãos

“Nos dias de Nero os cristãos eram acusados por qualquer calamidade que acontecia - até mesmo por causa do incêndio de Roma.”

 

Nero foi um imperador romano que governou do ano 54 ao 68 da era cristã. Seu governo foi marcado por várias contendas e barbaridades, valendo ressaltar também, que ele foi o primeiro imperador romano a iniciar uma perseguição aos cristãos. Ele é considerado um dos imperadores mais polêmicos e maus da história de Roma. Possuía uma má reputação devido ao seu estilo de vida, suas ambições, e também por possuir um grande interesse e admiração pela área artística, que na época era visto como algo impróprio e baixo para a elite dominante. Ao longo de seu governo, Nero foi perdendo credibilidade e a confiança do povo, e também do Senado principalmente após o grande incêndio que ocorreu em Roma. Então passou a ganhar forte oposição e enfrentamento nos anos finais de seu governo, o que culminou com seu trágico fim.

A maior parte dos fatos conhecidos sobre a história de Nero provém das obras de três escritores, sendo eles: Tácito, Suetônio e Dião Cássio, que foram responsáveis por abordar os detalhes e acontecimentos marcantes de sua vida, destacando sempre seu lado mal e egoísta. Esses escritores eram pertencentes à classe senatorial e aristocrática de Roma. Tácito e Suetônio escreveram suas obras mais de 50 anos após a morte do imperador, enquanto Dião Cássio escreveu a sua 150 anos após. Os relatos de desses escritores, juntamente com análises de historiadores, nos permitem conhecer um pouco mais detalhadamente a vida desse imperador que marcou a história de Roma com seus atos cruéis.

É muito importante ter em mente, antes de entrar em detalhes sobre a vida de Nero, que naquela época o Império romano tinha um método de sucessão ao trono conhecido como dinastia. Ou seja, o método de sucessão imperial ocorria por indicação de alguém; pelo imperador ainda em vida. E sabendo disso poderemos entender melhor a chegada de Nero ao poder.

Normalmente havia uma adoção filial do indicado pelo Imperador para confirmar sua legitimidade no poder. Essa dinastia portanto, era uma sequência de Imperadores; cada um indicado por seu antecessor. Uma dinastia chegava ao fim quando o poder passava para as mãos de alguém que não havia sido indicado pelo seu antecessor.

A primeira dinastia do Império Romano foi a dinastia Júlio-Claudiana que se iniciou com governo de Augusto. Fizeram parte dela outros 4 imperadores, os quais foram Tibério (14-37 D.C); Calígola (37-41 D.C); Cláudio (41-54 D.C) e por último Nero (54-68 D.C). Essa dinastia teve fim com a morte de Nero, sendo que posteriormente outras surgiram para dar continuidade à esse sistema. Tendo conhecimento disso, podemos analisar agora detalhes da vida e do governo de Nero.

Nero nasceu no dia 15 de dezembro do ano 37 D.C, na cidade de Anzio, Itália. Seus pais eram Gneu Domício Enobarbo e Agripina. Seu pai era da importante e rica família dos Enobarbo, que possuía grande influência na vida política romana. Sua mãe era da linhagem de Imperadores romanos, pois era bisneta do Imperador Augusto e irmã do Imperador Calígola. Nero provinha, portanto, de uma das principais famílias romanas daquela época. Seu nome de nascença era Lúcio Domício Enobarbo, o que mudaria anos mais tarde em um acontecimento que o tornou herdeiro do trono de Roma.

A infância de Nero foi marcada pela perda de seu pai, quando ele tinha apenas três anos e pela separação de sua mãe devido ao seu exílio de Roma, ordenado pelo imperador Calígola. Com esse exílio, Agripina não podia manter contato com seu filho, que passou então, a ser criado por sua tia paterna Domícia Lépida. No entanto, a separação de sua mãe durou não mais que um ano. Com a morte de Calígola e a ascensão de Cláudio ao poder, ela pôde retornar a Roma e tomar a guarda de seu filho de volta. Ao longo de sua infância e juventude Nero recebeu bastante influência de seu tio – avô Cláudio. E sua paixão pelas artes, música e teatro se iniciou através de seu Tutor Anicieto; o responsável por educá-lo. Com ele, Nero aprendeu a gostar e se interessar pelo ramo artístico. E esse gosto refletiria em sua imagem como Imperador anos mais tarde, pois ele gostava de encenar, tocar, ir a teatros, e portanto promoveria esses eventos com frequência em Roma. No entanto é imprescritível ressaltar que ele não era bem visto por possuir tal afinidade, pois o ramo artístico era considerado desagradável e pertencente à classe mais baixa, não se encaixando na elite dominante.

Para entendermos a chegada de Nero ao poder, precisamos considerar sua mãe, Agripina, que foi a responsável por esse acontecimento. Após a morte de seu marido Gneu, seu exílio e posteriormente seu retorno à Roma, Agripina começa a desenvolver seu plano para se aproximar de seu tio Cláudio, para então chegar ao poder. Seu objetivo era governar Roma, mas o império não permitia mulheres no poder. Com esse empecilho, a melhor forma de governar indiretamente seria através de seu filho, Nero. Segundo os planos dela, eles governariam “juntos”; mas ela seria a mandante oficial por trás dele. Ela passou a trabalhar e arquitetar seu plano para isso, chegando finalmente a se casar com seu tio Cláudio no ano 49. Ele tinha dois filhos: Octávia e Britânico, que deveria ser seu sucessor no trono. Com a primeira fase de seu plano conquistada, Agripina precisava se dedicar então, as formas de aproximar mais ainda seu filho do Imperador e do poder. Ela viu uma ótima oportunidade para isso ao promover o casamento entre Nero e a filha de Cláudio, Octávia. Com isso, ele se aproximaria mais da família e adquiriria confiança também.

No ano 50, Cláudio reconheceu Nero como seu filho adotivo, o que lhe conferia o título de herdeiro legal do Imperador. Após essa adoção ele recebe o nome de Nero Cláudio Germânico. Porém, mesmo com título de herdeiro, ele não poderia ser o sucessor do trono, pois Britânico era o filho legítimo de Cláudio, o que significava que o trono era seu por direito. Britânico até seria um empecilho para os planos de Agripina, mas ela não se preocupou muito com ele por dois motivos: ele tinha uma debilidade física que o atrapalhava muito e era menor de idade. Portanto não poderia assumir o trono ainda. Agripina tinha tempo então para fazer alguma coisa antes de Britânico chegar a idade adulta e assumir o poder. Como Nero já havia sido reconhecido como herdeiro do trono, ele poderia assumir o poder caso Cláudio morresse e Britânico ainda fosse menor de idade. Cláudio a essas alturas já era desnecessário em seus planos. Historiadores acreditam que Agripina bolou um plano para matar Cláudio. Ela o teria envenenado com alguns cogumelos no jantar. Entretanto, alguns contestam essa versão e apresentam outras. Mas o fato é que Cláudio faleceu no dia 13 de dezembro de 54, sem ter nomeado seu sucessor.

O caminho estava finalmente livre para Nero tomar o poder. Agripina após isso, juntamente com o filósofo Sêneca, que era o novo tutor de Nero e membro da guarda pretoriana (guarda real do Imperador) simplesmente desconsideraram Britânico por ser menor de idade, e nomearam Nero como o Imperador de Roma. Ele foi aceito e apoiado pelo povo e pelo senado. Estava assim, consumado o plano de Agripina para chegar ao poder. Seu filho como Imperador seria o mesmo que ela governando, pois ele seria apenas um representante dela. Uma marionete. Na prática, seria ela e o tutor de Nero que iriam governar através dele, pois ele assumiu o poder com apenas 17 anos de idade. Bom, foi o que ela planejou. Isso funcionou nos primeiros anos de seu governo, porém as coisas mudariam de forma drástica à medida que ele crescesse no poder.

Como já mencionado, Nero começou a governar como o Imperador de Roma aos 17 anos, sendo uma época na qual o Império estava em um momento de grande esplendor. Nos primeiros anos de seu governo, Nero estava indo bem, ele havia alcançado popularidade e apoio do povo, além de ter conquistado a confiança do Senado. Ele era aconselhado e dirigido por sua mãe e pelo seu tutor Sêneca, o que refletiu bastante em suas ações com relação à deveres e a solução de problemas políticos.

Algumas de suas obras iniciais estavam voltadas para camada mais pobre. Ele tentou reduzir os impostos para a população, trabalhou na questão da liberdade de escravos e atuou como um bom administrador do Império mantendo uma boa relação com Senado. No entanto, ele não trabalhou muito para a dominação e conquista de territórios. Em seu governo ele não empreendeu as guerras de expansão; realizou apenas algumas incursões militares na região da atual Armênia. Investiu e trabalhou bastante para construir locais de entretenimento para o povo, principalmente teatros, chegando até a atuar em alguns desses espetáculos e apresentações. Ao promover esses eventos agradava boa parte do povo e ao mesmo tempo passava ser mal visto pela elite e pelo Senado, pois promover os eventos era uma coisa, mas se apresentar em alguns deles era inadmissível à um Imperador. Apesar disso, seu governo estava bem equilibrado e harmonioso. Ele estava indo bem como Imperador. No entanto, essa foi apenas a primeira parte de seu governo. Ele não permaneceu assim por muito tempo. Começou a levar seus interesses e gostos pessoais mais a sério do que seu governo. É quando dá inicio a uma série de barbaridades pelas quais é lembrado até hoje.

Já era de se esperar que a manipulação de sua mãe em seu governo não daria certo por muito tempo, mesmo que em primeiro momento parecesse que estava indo “tudo bem”. Agripina era uma forte influenciadora e suas ideias estavam entrando em contenda com as de Nero. Afinal era ela quem queria o poder, seu filho estava ali apenas para “cumprir ordens.” Isso no entanto, não agradava Nero nem um pouco, e ele começou a simplesmente ignorar o que sua mãe dizia com relação ao governo. É quando surge nessa história, novamente, o irmão de Nero, Britânico. Ele já estava perto de chegar idade certa para tomar o poder caso ele quisesse. Isso sem dúvida era uma enorme ameaça para Nero que não queria perder o poder. Ele sabia que se Britânico requeresse o trono seria dele por direito. Era fato então, que se Nero quisesse permanecer no poder, ele teria que fazer alguma coisa. O que ele fez foi o início de seus atos perversos e cruéis que perdurariam em seu governo até o fim.

Segundo historiadores Nero teria envenenado Britânico, assim como sua mãe Agripina havia feito com Cláudio, mas não com cogumelos. Eles acreditavam que Nero teria colocado veneno em sua bebida durante a refeição. Sabe-se que Britânico não resistiu e morreu. Para Nero então, não havia mais ameaça para o tirar do poder. No entanto, sua mãe continuava o reprovando pelo seus atos insolentes no governo, e ainda, por ele ter se apaixonado por uma escrava recém liberta. Essa atitude para Agripina, era inadmissível. Como um imperador poderia se relacionar com uma escrava? Era o que ela pensava. E Nero estava disposto a contrariá-la. No entanto, em pouco tempo ele esqueceu essa escrava e se apaixonou por uma mulher chamada Popéia, com quem queria se casar. Ele não queria mais permanecer casado com Octávia, o que era também, ferozmente reprovado por sua mãe.

Com o passar do tempo, foi crescendo uma forte tensão entre Nero e sua mãe devido à questões de poder e de sua vida pessoal. Ele passou acreditar que ela era uma conspiradora que estava planejando tirar-lo do poder. Com isso ele levou a cabo um plano cruel para tirar de vez ela de seu caminho. Nero então, manda matar sua própria mãe, fazendo esse crime parecer suicídio. Isso foi dentre muitos outros, um dos atos mais egoístas e cruéis desse imperador. Não bastasse isso, também foi o responsável pela morte de sua esposa Octávia, para então poder se casar com Popéia. Essa sucessão de acontecimentos cruéis, de morte das pessoas próximas do Imperador, despertaram uma desconfiança e o medo no povo. Nero já não era bem visto mais em seu governo.

“Todos vocês sabem o terrível rei que ele foi. Ele pren-… Ele amarrou sua mãe a uma boléia atada a um cavalo e arrastou-a através das ruas, e incendiou a cidade, e tocou violino em cima do monte.” Mensagem: A Marca da Besta – parágrafo 256.

Um dos grandes marcos em seu governo foi o incêndio que aconteceu em Roma no ano 64. Esse incêndio deixou um saldo desastroso. Uma enorme destruição no Império. Além de ter prejudicado totalmente o povo. Muitas pessoas morreram, casas e plantações foram incendiadas deixando Roma em uma situação desesperadora e caótica.

Os historiadores não sabem ao certo quem ou o que provocou o incêndio. Alguns afirmam que foi o próprio Imperador que planejou isso. Outros acreditam que foi um acidente. Mesmo com essas opiniões distintas é preciso analisar um fator muito importante: incêndios eram muito comuns em Roma devido ao material do qual eram feitas nas casas e a distribuição geográfica delas. Por serem ruas estreitas com casas muito próximas uma das outras, um foco de incêndio se alastraria facilmente para uma grande extensão. Contudo, mesmo esses incêndios sendo comuns, esse foi o maior e causou uma destruição gigantesca, o que levantou a suspeita de não ter sido um simples acidente.

O Imperador, sendo culpado ou não, iniciou um plano de reconstrução de Roma para reparar as destruições, os estragos e retornar à vida normal do povo. Ele ajudou a criar métodos para apagar os focos do incêndio e também um projeto de construção que dificultasse o alastramento do fogo em caso de um novo incêndio. Em seu novo projeto propôs um material diferente para se construir as casas, além de determinar a distância em que elas deveriam estar uma das outras. Essa reconstrução teve um alto custo e para conseguir concluí-la foi necessário recolher pesados impostos da população, além de usar também o dinheiro do governo.

Após este acontecimento, o povo e o Senado passaram a desconfiar de Nero e o acusar pelo incêndio. Pois era conhecido o seu desejo de construir um enorme novo palácio, que ocuparia uma grande área. O que garantiria então que ele não havia planejado o incêndio para desenvolver seu objetivo? Isso era exatamente o que estava passando na mente das pessoas após essa catástrofe que destruiu a maior parte do que elas possuíam. Nesse clima de pressão, acusações e pontos de vista diferentes em relação ao ocorrido, para tirar a atenção de si e demonstrar sua inocência, Nero arranjou alguém para culpar pelo crime.

“Nos dias de Nero os cristãos eram acusados por qualquer calamidade que acontecia – até mesmo por causa do incêndio de Roma.” Mensagem: As Sete Eras da Igreja – A Era de Esmirna – parágrafo 63.

Ele considerou que um grupo muito aceitável para culpar seria os cristãos. Pois eles eram afastados do resto da população, pregavam uma religião diferente da que o Imperador aceitava e que não era compreendida pelo povo. Considerado um grupo perigoso que fazia oposição ao Império e não era aceito nele. Nero então, achou ter escolhido o grupo perfeito para culpar, já que os cristãos eram impopulares em Roma e suspeitos de quererem acabar com Império. Sendo assim, ele culpou os cristãos pelo incêndio e iniciou a primeira grande perseguição no império, o que culminou com incontáveis mortes. Os cristãos passaram a sofrer vários tipos de torturas; eram levados para serem comidos por feras, animais selvagens, para serem mortos por gladiadores, e colocados em estacas com material inflamável onde era ateado fogo. Após a punição e morte dos culpados pelo incêndio, as coisas passaram a voltar ao normal para Nero. Mas não permaneceria assim por muito tempo.

Com passar dos anos, Nero passou a sustentar sua ambição de construir seu grande e esplendoroso palácio, a Domus Aurea. Esse projeto de construção levou arrecadação de uma quantidade absurda de dinheiro que era tirado dos impostos e dos cofres públicos. Isso gerou uma intensa insatisfação tanto por parte do povo quanto pelo Senado, pois estavam sendo usados o dinheiro de obras públicas, do sustento do povo, e os impostos haviam aumentado muito.

Nos anos que se seguiram, as coisas só pioraram, pois Nero não dava mais ouvido aos seus conselheiros e não se importava com questões de seu próprio governo. Ele havia deixado a política de lado para realizar seus desejos artísticos, participando de eventos e espetáculos, fazendo até uma viagem à Grécia para conhecer melhor a cultura e arte do país. Enquanto isso, a insatisfação do povo com seu governo só crescia, pois além de ser um Imperador insano, que havia matado inúmeras pessoas e que estava governando o povo sob um medo crescente, ele não estava dando importância às sérias questões políticas do Império e ainda estava gastando muito dinheiro para satisfazer uma questão de luxo próprio.

Com esses fatores o Império estava entrando em um caos, ele perdeu totalmente o apoio do povo, da sua própria guarda e do Senado. Passaram então, a surgir vários grupos opositores ao seu governo, dispostos a arrancá-lo do poder. Ressaltamos que o Senado também queria isso ao considerá-lo como inimigo número um do Império.

Nero suprimiu e matou alguns de seus opositores, mas como as rebeliões estavam crescendo cada vez mais por toda parte, ele se viu sem saída. Ele teria que abandonar o poder, pois não contava com apoio do povo, do Senado e nem do exército. Com medo de ser capturado e morto por seus opositores, Nero se suicida no dia 6 de Junho de 68, pondo fim na dinastia Júlio – Claudiana. Deixando assim, seu legado de Imperador cruel e insano que culminou com um trágico fim.

Fontes:

1 – https://www.ebiografia.com/nero/

2 – https://www.br.historyplay.tv/biografias/nero

3 – https://www.sohistoria.com.br/biografias/nero

4 – https://www.infoescola.com/biografias/nero/amp

5 – https://www.todamateria.com.br/imperadores-romanos/amp

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