O Que Leva Alguém a Dizer Essas Coisas?

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O tratamento nutricional faz a reorganização dos hábitos alimentares, suspensão do comportamento alimentar inadequado e melhora da relação com os alimentos e com o corpo.

“Tomo remédio de azia para disfarçar a fome”; “Só vou ser feliz quando enxergar meus ossos no espelho!”; “Minha única motivação é vomitar”.

Frases perturbadoras, não são?

Essas e outras expressões piores são ditas por pessoas que sofrem com algum transtorno alimentar (TA). É importante saber mais sobre esses distúrbios e como identificá-los, pois alguém ao seu lado pode estar em perigo!

De modo geral, os TAs são doenças psíquicas onde ocorrem alterações graves no comportamento alimentar, principalmente de adolescentes e jovens do sexo feminino. Nos dias atuais, a principal estimuladora desses distúrbios tem sido a ‘cultura da magreza’.

O estilo de vida ocidental e o avanço tecnológico permitem o acesso a vários tipos de mídia e estas, por sua vez, divulgam um padrão de beleza enganoso e muitas vezes contrário à saúde. A supervalorização da aparência e desse modelo de beleza ganha força a cada dia no sistema mundial, provocando uma insatisfação nas pessoas em relação a sua própria imagem. A partir dessa insatisfação surge a busca por um “corpo ideal”, ou seja, um corpo magro a qualquer custo. Em contrapartida, o sobrepeso e a obesidade têm aumentado assustadoramente, agravando ainda mais a incidência dos distúrbios alimentares.

Não deixando de considerar que também existem gatilhos que podem contribuir para a manifestação dessas doenças como: fator genético, baixa autoestima, obsessão, perfeccionismo, instabilidade afetiva, problemas familiares, depressão e ansiedade.

Esse assunto é bastante amplo e para não estender muito, vou destacar os três TAs que mais afetam a população.

  1. Anorexia Nervosa (AN):

O termo anorexia vem do grego: “orexis” (apetite) e “na” (privação). A pessoa que sofre de NA apresenta negação da fome, diminui radicalmente a ingestão alimentar por conta própria e apresenta intensa perda de peso chegando ao total enfraquecimento e desnutrição. Ocorrem várias complicações de saúde como: anemia, interrupção do ciclo menstrual, grande queda de cabelo, alterações significativas na pele, alterações cardíacas e muitas vezes, morte.

A anorexia foi o primeiro transtorno alimentar descoberto, ainda na Idade Média. Naquela época esse comportamento estava ligado à motivações religiosas que expressavam devoção e perfeição espiritual. Hoje a motivação principal da NA é o medo exagerado de engordar.

Outro fato sobre essa doença é que a pessoa se enxerga de forma totalmente distorcida diante do espelho. A pessoa se vê acima do peso, mesmo estando em “pele e ossos”.

Além dos sinais físicos de debilidade, deve-se observar comportamentos como: preferência por comer longe dos outros, preocupação exagerada com calorias, prática excessiva de atividade física, automedicação com diuréticos, laxantes e emagrecedores e a criação de rituais “diferentes” referentes à alimentação.

  1. Bulimia Nervosa (BN):

A palavra bulimia também deriva do grego: “boul” (boi) e “lemos” (fome), ou seja, uma fome tão grande, suficiente para “devorar um boi”.

Nessa doença a pessoa tem uma espécie de “surto” em que perde o controle e ingere enormes quantidades de alimentos em um curto período (até 2 horas). Após o surto, ela se sente muito culpada. Para compensar essa culpa e não engordar, a pessoa induz o próprio vômito e/ou abusa de laxantes, diuréticos, jejuns e exercícios. Esse comportamento traz um alívio momentâneo, contudo, após os episódios de compulsão, surgem outros sentimentos negativos como: frustração, tristeza, tédio, solidão, piora da ansiedade e baixa autoestima.

As consequências da BN vão desde sérios problemas gastrointestinais (esofagite, ruptura de estruturas digestivas, síndrome do intestino irritável) até desgaste do esmalte dentário e osteoporose.

Nesse transtorno a variação do peso é sutil, o que torna difícil a observação de alguns sinais estranhos demonstrados pela pessoa como: gastar muito dinheiro com comida, esconder alimentos no quarto ou no guarda-roupa e mentir sobre isso, ir com frequência ao banheiro durante e após as refeições, passar a vestir roupas largas e preocupar-se extremamente com o peso.

 

  1. Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP):

O TCAP apresenta as mesmas características comportamentais da bulimia nervosa, exceto pela “purgação”. Para exemplificar, é como se a pessoa tivesse uma “overdose alimentar” num período de até 2 horas. Depois ela sente repulsa por si mesma e sente-se como um “zero à esquerda”. Porém não induz o próprio vômito e não pratica nenhum método compensatório. Por isso, geralmente, há aumento progressivo do peso.

Alguns sinais comportamentais que o comedor compulsivo manifesta incluem: comer independente da fome, comer até “passar mal”, comer normalmente quando está perto das pessoas e depois comer o dobro escondido ou comer sozinho para não se sentir constrangido, ânsia por comida a qualquer hora (inclusive de madrugada), comer para fugir das dores emocionais e problemas, planejar secretamente suas “farras alimentares”, ter a falsa sensação de controle sobre o próprio peso, mistura de alimentos e diversos sabores ao mesmo tempo (por exemplo, brigadeiro com maionese).

Dislipidemia, hipertensão, diabetes e outras doenças são consequências desses abusos alimentares. O TCAP é tão prevalente que existem até grupos de tratamento espalhados pelo mundo, inclusive em Belo Horizonte, são os Comedores Compulsivos Anônimos – CCA (O e-mail para contato é [email protected]), que desenvolvem um trabalho de apoio.

A parte mais complicada de todo problema emocional é a pessoa se conscientizar e admitir que precisa de ajuda. Por isso, o tratamento de todos os TAs dependem primeiramente do envolvimento da família e depois de uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicólogo, nutricionista e outros profissionais, dependendo da gravidade do caso.

O tratamento nutricional faz a reorganização dos hábitos alimentares, suspensão do comportamento alimentar inadequado e melhora da relação com os alimentos e com o corpo. Nos casos de anorexia em que frequentemente é necessária a hospitalização, o nutricionista controla rigorosamente o ganho de peso gradativo para evitar a Síndrome de Realimentação, que pode causar graves complicações e até mesmo morte súbita.

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Mariana Macedo

Mariana Macedo

Sou Mariana V. T. Macedo, Nutricionista, (CRN9 - 11.884), formada e atuante na área clínica há quase 10 anos. Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional, Nutrição Esportiva e em constante evolução em todas as áreas da vida. Minha missão é ser uma agente transformadora da saúde e pensamento das pessoas, tendo em vista que um corpo saudável necessita de cuidados que vão muito além do peso, além de uma simples dieta e contagem de quilocalorias. Além da estética.


Um comentário

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    Ione Lopes

    30/03/2020 as 10:57

    Excelente, é preciso ficar atenta aos hábitos familhares, porque às vezes nós, os pais somos inconcientemente, maus exemplos para os filhos, por exemplo, na ingestão banalisada e anti-ácidos, o que pode acender a luz vermelha sobre nós mesmos.

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