Uma Carta Ao Rei Salomão…

Vaidades das vaidades, tudo é vaidade. Sábio é aquele que edifica sua casa sobre a rocha. Sábio é aquele que guarda os mandamentos de Deus, pois a Sua Palavra não pode ser movida. Ela é eterna...

Assunto; Vaidades de vaidade, é tudo vaidade.


Majestade,

A vós escrevo esta carta, por acreditar que finalmente compreendi as palavras descritas no livro de Eclesiastes. Por muito tempo tenho lido e apreciado muitíssimo os pensamentos registados de vossa sabedoria. Porém, somente agora posso dizer que concebi e vivenciei o que de fato estava descrito. Dessa forma, considerei relevante relatar a vós os recentes acontecimentos de minha terra; os quais fizeram-me captar o vosso grandioso ensinamento.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Acredito que essas vossas palavras, sejam um bom início para essa carta; porquanto chegou à minha terra um tempo de afastar-se de abraçar, de ficar longe dos meus irmãos, e de prantear. Mas, como vossa majestade bem disse, “melhor é a tristeza, visto que isso melhora o coração”. Devo dizer que isso é verdade, em razão de meu coração estar reflexivo e pesaroso. Não somente o meu, mas também os de muitas pessoas ao meu redor. Entretanto, creio que esta seja a vontade do nosso Deus.

Aqui em minha terra estamos vivendo o momento em que a morte ronda em forma de peste, e com isso está nos mostrando que não somos absolutamente nada! Que do pó viemos e ao pó retornaremos. E que tudo é puramente vaidade! Nossas igrejas estão com as portas fechadas. Estamos longe dos nossos irmãos. Mas nossos guarda-roupas estão cheios, temos sapatos; nossos celeiros estão abarrotados, temos moradia e conforto. Posso dizer que estamos contentes e gratos a Deus pelos bens que Ele nos concedeu. Porém, tudo isso é vaidade das vaidades, pois nada do que mencionei agora pode satisfazer a nossa alma. -“Ora, se elas não podem alimentar a minha alma, por que gastei tanto tempo pensando em riquezas materiais?”-  Somos homens vaidosos com pensamentos vaidosos. Nossos risos e abundâncias materiais foram mais altos do que as palavras dos sábios. Nos tornamos insensíveis. Perdemos o princípio da sabedoria.

Desse modo, quando olho para os meus irmãos do passado, me sinto envergonhado. Pois, Moisés não foi vaidoso, ele largou reinos e palácios e preferiu ser profeta de um povo que era escravo. Noé não foi vaidoso, ele se colocou em pé e foi contra toda a ciência daquele dia. Abraão não foi vaidoso ao escolher os carvalhais de Manre em vez de Sodoma e Gomorra. Pedro não foi vaidoso ao largar sua rede, seu sustento, para seguir a Cristo. Paulo não foi vaidoso ao abandonar seus estudos. A prostituta não foi vaidosa ao gastar todo o seu dinheiro comprando um frasco de perfume para derramar nos pés de Cristo. Rute não foi vaidosa ao largar sua Terra para seguir Noemi. Davi não foi vaidoso ao apascentar as ovelhas de seu pai. E nosso Mestre não foi vaidoso ao ensinar aos pobres, ao curar os leprosos, ao visitar os cansados e ao entregar sua vida por amor a nós. Ao lembrar-me destes homens e mulheres ponho-me a pensar: “faria eu isso?” Faria eu isso estando cheio de minhas vaidades? Tenho estado tão cheio de vaidades que não consigo nem mesmo orar, em virtude das riquezas ocuparem a minha mente. Quão tolo sou. Nossos irmãos não eram vaidosos com sua própria vida, pois morriam por amor a Deus. -Oh, quão tolos nós, nesta minha terra, somos!


Contudo, chegou o tempo, rei. Tudo que poderia ser movido está sendo movido. Chegou o tempo de repensar o nosso plantio. Não queremos ser como Acabe e Jezabel, que a vaidade foi maior que o seu próximo. Não queremos ser como o Jovem Rico, que pensou que suas vaidades iriam saciar sua alma. Não queremos ser como Acã e esconder nossas vaidades. Não queremos ser como a mulher de Ló, que em tempo de juízo se apegou aos seus vestidos. Nós já compreendemos que nossas vaidades não nos saciam, elas nos matam. Neste momento tudo do que estou certo é de que eu preferia abraços, pregações, companheiros e hinos, a ter riquezas. Neste momento me dou conta de que tudo é passageiro. Porém, estamos clamando uma vez mais, estamos pedindo, como Davi, vosso pai, por um coração novo onde a vaidade não habita. Um no qual somente habite o Espírito de Deus. Examinando as dimensões da vossa sabedoria, rei, arrependo-me de ter sido tão vaidoso ao ponto de valorizar mais as minhas necessidades do que as pregações.. Arrependo-me de não ter cantado os hinos em Espírito e em verdade. Arrependo-me de não ter abraçado mais os meus irmãos…

Vaidades das vaidades, tudo é vaidade. Sábio é aquele que edifica sua casa sobre a rocha. Sábio é aquele que guarda os mandamentos de Deus, pois a Sua Palavra não pode ser movida. Ela é eterna.

Enfim, a vós escrevo essa carta para que ela transmita ao senhor, majestade, os meus agradecimentos e reconhecimento pelas vossas palavras de sabedoria, que levou-me a um momento de reflexão e mudança. Em tempos como este, de caos, percebemos que a vaidade é inútil. No entanto, já gastamos tanto tempo com ela, que deixamos passar despercebido o que nos traria equilíbrio e sustentação para esse tempo. Termino dizendo a vós, algo que vós, sábio rei, certamente saberá o valor: “estamos tentando fazer como fez a Rainha de Sabá, largar todas as nossas vaidades para darmos atenção aquilo que é verdadeiro e eterno”.

Shalom.

De um povo que vive o que vossa majestade escreveu.

6 comentários

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    Ione Lopes

    30/03/2020 as 19:50

    “Mas ainda estou aqui ”
    Obrigada à redação, pela oportunidade de meditação .

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    Rosemary seraphim

    30/03/2020 as 19:55

    Pura verdade!!saudade de ouvir os líderes de canticos.dizer de um abraço no seu irmão e diga Deus abençoe! Até mesmo dar um abraço na minha irmã por vontade própria estes abraços terão muito mais significado pra mim .Não sera um simples abraço. Mas terá um grande valor pra mim!!!!!!!

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    Stéfany Santos

    31/03/2020 as 00:11

    Difícil encontrar palavras para expressar o que senti ao ler! Deus continue vos abençoando e usando como instrumento nessa hora final.

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    Ylberty de souza oliveira

    31/03/2020 as 23:11

    Obrigado por mais atravez de um texto maravilhoso que tudo na vida num passa de vaidade e o quê realmente é valorizado nas nossas vida e uma vida cristã de verdade.

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    Tiago José

    01/04/2020 as 10:57

    Que carta! Oh meu Deus!

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    Marisa de oliveira costa Melo

    01/04/2020 as 15:20

    Que tremendo essa carta!
    Momento de refletirmos.
    ” Meu Deus, nos ajuda”

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