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Consumismo hoje, o que nos reflete? Imperfeição!

De acordo com a Grande Enciclopédia ‘Larousse Cultural’, consumir, entre outros significados, representa gastar, despender, extinguir; ao passo que, na mesma referência, destaca também o sinônimo desgostar, angustiar; quando o ato se agrega demasiadamente. Há o conhecimento que sempre nos acompanhou: o hábito do consumo seja mínimo, moderado ou mesmo exacerbado. Necessita também se referenciar de que tipo de consumo estamos lidando, contextualizar. Carece de nós a observação do equilíbrio e visualizar como vemos nossos comportamentos diante do consumo, e o que chama a atenção para outros aspectos nele envolvidos, tais como o desprendimento, a intenção, o investimento a ser realizado e até mesmo o valor atribuído naquele ato de consumir, ou no objeto de consumo.

Percebe-se, que, o que chamamos de consumismo, o ato desenfreado de adquirir, sentir e pertencer hoje ocorrem em uma velocidade não vista antes, e que quase passa despercebido na cognição do ser humano, que só se dá conta depois. Em muitos casos, do comportamento realizado, muitas vezes por pressão, ausência de conhecimento, ou mesmo pelo espírito envolvente naquela situação. Algo inconforme, sem limite, imperfeito!

Percebe com facilidade que há mecanismos bastantes influenciáveis em operação perene hoje, que forçam o ato do consumo frenético, desprovido do real desejo de adquirir. E assim compram, investindo sem nem mesmo se dar conta da real necessidade de consumir. Observa-se que o prazer está em possuir, e não em aproveitar do efeito que o bem adquirido traz.

Qual o valor do consumismo hoje na sociedade? Quase imensurável! O ser – o que se é na verdade em sua essência – é superado pelo ter, possuir – uma certa sensação momentânea, fluída. Qual a representação do consumo elevado na atual sociedade? Associa-se a um certo vazio. Preenche-se este vazio com quê? Como equacionar a inexistência de algo que, na verdade, não sabe se vai ser superado, adquirindo sem mesmo poder arcar com as consequências de uma dependência, seja financeira, seja da própria vida?

Certo é que adquirir se tornou uma ferramenta mais prática e próxima das pessoas com toda tecnologia hoje existente. Ao passo que, o conhecimento próprio de ações, hábitos, ficam distantes, irreconhecíveis, latentes. Vemos a quantidade de informações disponíveis hoje para possuir, adquirir, desejar, tomar posse (muitas vezes, com longos períodos de financiamento, compromissos assinados à pressa, a velha praticidade gratuita, inicialmente). Ao mesmo tempo, não encontra-se auxílio para um olhar mais profundo dos motivos, necessidade real de adquirir, além de possibilidade de confiar em suas próprias decisões.

De acordo com um estudo publicado na página eletrônica da BBC Brasil – Agência de Notícias Internacionais – em novembro do ano passado, tratando de um estudo em que procura encontrar fatores que auxiliam a felicidade humana, autores apontam que é necessário ter em vista o que realmente importa para o alcance de satisfação, e, muitas vezes, pode-se desfocar este ato, em parte, pelo auto poder de bombardeio de mensagens que recebemos – anúncios de publicidade dizendo, diariamente, que se comprarmos algo seremos mais felizes ou amados. Neste ponto, merece nossa observação da força das indústrias alimentar, cosmética, agropecuária, tecnológica, de moda, da religião, da educação. Podemos usufruir da possibilidade de julgar que não temos noção do que estas instituições são capazes de fazer para adquirir uma oferta, um olhar, uma oportunidade de transformar o consumidor em um instrumento do consumismo sagaz e avassalador de homens e mulheres, consequentemente de famílias e lares sem precedentes na história da humanidade!

É possível perceber que quando referimos a consumismo consegue-se apreender como algo ou ato forçado, imediato, sagaz. Um conceito que aproxima muito da Era em que vivemos, do tipo de espírito atuante hoje: rápido, prático, volátil. Ao abordar este tópico, refletimos juntos como percebermos o movimento por detrás de um meio de comunicação tão prático hoje, conhecido por rede social.

Não nos comportando como inocentes demasiados, sabemos bem a utilidade deste recurso virtual para a sociedade humana. Com um olhar mais apurado, este ponto não nos auxilia observar que os conceitos da rede social aproxima muito do nosso tema aqui proposto, ou seja, o consumismo? Seria algo como consumismo tecnológico, virtual, à distância? E quando abordamos o consumismo aliado ao virtual, temos uma somatória um tanto quanto devastadora, cuidadosamente falando.

A que ponto podemos chegar em uma equação neste formato? Além do ato de consumir exacerbadamente, no que diz respeito de postagens, likes e estar sempre presente, virtualmente falando, o preço da auto-exposição, do desejo de maior visualização, de ter alguma imagem aparente. Pode-se com possibilidade bem alcançável traduzir-se em certa despersonalização, autoestima sazonal, reflexões limitadas, desânimo emocional, queda da autonomia e o cerceamento da espontaneidade. Permite aqui inserir o que encontramos na referência localizada no início do artigo, no que diz respeito ao consumismo: angústia, ou seja, estado de ansiedade, inquietude, redução de espaço ou de tempo. Descompensação, imperfeição! Claro, não nos damos tempo de observar estes fatores, até porque andam no caminho inverso, ou seja, são inversamente proporcionais: enquanto vivo em um mundo rápido, onde sou mais factual do que presente, as consequências deste ritmo frenético e recorrente são paulatinas, processadas a medida em que nos afastamos mais de nós mesmos, de nossa natureza, de nossos valores, de nossos princípios, do início.

Faz-se necessário pontuar que não é errado, contra a lei e nem mesmo pecado consumir. Consumir é um ato que todo ser humano é capaz de fazer, é intrínseco ao homem. É um comportamento de sobrevivência, de desenvolvimento, e mesmo de evolução. Neste sentido, consumir propicia o equilíbrio, consumação necessária, ordeira; conceitos estes totalmente inversos ao que temos conhecimento em relação ao consumismo.

Neste ponto, no que diz respeito ao equilíbrio, oferece-nos a oportunidade de remeter ao adequado, esperado. Tanto na espera do reino natural (natureza) como ao reino animal, entre outros, tudo é acompanhando, embasado pelo perfeito equilíbrio, com ausências de oscilações e obtendo posição estável, onde forças se compensam, se complementam. Exemplos? Dia e noite, o ciclo do oxigênio, o acasalamento dos animais, uma colheita no campo, o sol escaldante no verão e vento gelado no inverno. Uma saudável abóbora em sua ramagem e a pequenina amora em uma destacável árvore. Tudo em uma completa ordenança, em desenvolvimento constante e perene; nada a mais, nada a menos: equilibradamente perfeito!

Contextualizando com a Palavra, o que nos reflete a Bíblia, parafraseando o título do artigo? Bom, tudo que Deus faz é perfeito! Em Provérbios 30:5 Salomão confirma que “Toda palavra de Deus é perfeita”. O apóstolo São Paulo nos recomendou sermos perfeito (II Coríntios 13:11), além de nos indicar em sermos de um mesmo parecer. Constância de vida, de hábito, de comportamento, de adquirir, de equilíbrio. São Pedro em sua primeira carta (5:8) nos instrui em sermos sóbrios. Sermos moderados, temperados em todos os atos e ações, pensamentos e vivências. Salomão, um dos maiores sábios que já pisou nesta terra apontou para nós em seu livro (2:11): “O bom siso te guardará e a inteligência te conservará.” Boa capacidade de avaliação, o bom senso, cautela, prudência.

Sabemos que temos todo aporte, e também recurso na Bíblia Sagrada, que nos auxilia bastante em viver uma vida saudável, estável e prudente, e isto em um nível amplo e com devidas proporções, no físico, emocional e principalmente no espiritual! São Paulo em II Timóteo 3:17, em um capítulo de recomendações e orientações de apóstolo e profeta deixa registrado que, ‘para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda obra’, nos posiciona a abordamos estas orientações tanto aos cuidados terreais presentes, como mandamentos celestiais agora. O interessante é que o salmista Davi, no capítulo 119 e versículo 96 aponta limites em toda perfeição. Se consigamos enxergar comportamentos que não condiz com nossa conduta, que foge do equilíbrio, da prudência, necessita-se de retornamos às Escrituras! Deuteronômio 18:13 lemos um recomendável mandamento: “Serás perfeito diante do Senhor teu Deus.” Mas porquê? A própria Palavra responde: “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma…” (Salmos 19:7).

Assim, o que o consumo saudável nos reflete? Perfeição! E perfeição aponta para o equilíbrio, sobriedade, moderação, satisfação. Perfeição nos aponta Cristo. Cristo em Sua igreja.

“Sede vós, pois perfeitos, como perfeito é o vosso Pai que está nos céus”(São Mateus 5:48).

Redação Assim Está Escrito 

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