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Somente Depois de Cumprir Deveres É Que Podemos Adquirir Direitos

Em tempos de muitas aquisições e reivindicações de direitos o que mais vemos são deveres não sendo cumpridos. ‘Os valores’, os quais são o meio pelo qual se adquire merecimento e constrói-se a reputação de um indivíduo-bom tendem a ser considerados obsoletos, inviáveis e ultrajantes. E neste tempo (hoje) encontra-se um mundo no qual prevalece o ganho próprio em detrimento à necessidade real de cada indivíduo, o comportamento equivocado, a ausência da responsabilidade, o desprezo e o esquecimento da história da própria vida ou da de outrem; onde a referência do ‘bom cidadão’ pode entrar em colapso a qualquer instante. Em uma era (essa) em que os benefícios trazem imagens de vantagens, as incumbências que produzem os deveres se tornam limitadas e desprezíveis.

Existe tanta rapidez para usufruir dos direitos quanto existe demora para exercer os deveres. Os direitos devem ser conquistados; e os deveres jamais podem ser esquecidos. Muitos hoje desejam alcançar benefícios, porém não querem arcar com suas obrigações. Ou seja, muitos são os que querem receber, mas são poucos os que querem doar. Até porque é mais fácil agir assim já que para cumprir deveres é necessário posicionar-se. Só que no princípio não foi assim. A maior referência de vida, as Escrituras, apresenta uma história diferente:

Quando esteve na terra o ‘Senhor Jesus Cristo’ sempre demonstrou ensinamentos que contradiziam os comportamentos das pessoas. E percebendo isso, São Paulo registra essas palavras em sua carta aos Filipenses: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (2:4). Paulo (anjo da primeira era) observou os passos do Mestre, e seguiu dizendo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” (Filipenses 2:5-7).

O derradeiro profeta das Eras, tendo o mesmo Espírito, comenta através da sua história (testemunho), ao pregar a mensagem ‘Ide Dizeis aos Meus Discípulos’, onde fala sobre quando se viu diante de uma grande oportunidade de ganhar uma arma como prêmio por caçar um animal de grande porte, porém depreciou seu direito e com simples palavras reconheceu o seu dever: ser sábio, cauteloso, espiritual, moderado e sensato, conforme Filipenses 2:4. Portanto, cumpri-se primeiro o dever, e só depois disso é que adquire-se o direito.

O dever oferece a oportunidade de exercer uma atividade com lisura e também o respaldo de responsabilidade, a importância e o empenho. E para que o dever seja cumprido requer-se disciplina, sabedoria e prudência (Provérbios 23:23); pois o dever tira o conforto momentâneo e impulsiona ao posicionamento todo o tempo.

Era dever de Cristo apresentar a sentença de morte à mulher que pecou e foi pega em adultério, ato considerado ilícito (São João 8). Todavia o Senhor Jesus Cristo tinha o dever de zelar por aquela alma que perecia em meio à multidão. E aquela mulher tinha o direito de receber misericórdia das mãos do Mestre. E através de um ‘dever cumprido’ foi ‘concedido a ela o direito’ a verdadeira liberdade. Ao passo que também era direito do Senhor Jesus convocar os anjos para Lhe socorrer ao ser negado por um amigo e preso lá no Jardim do Getsêmani (São Mateus 26:50), mas Ele abriu mão do Seu direito para cumprir um dever e atuar de forma implacável.

Existe a prerrogativa de que os direitos que geram liberdade e trazem conforto são vistos como abrangentes; isso procede, desde que ao ser exercidos não ultrapassem o limite de outra pessoa. O direito só é construtivo e viável quando adquirido de forma prudente, ordeira e reconhecida. Mais antes que o direito seja alcançado é necessário que, no decorrer do caminho, o dever seja cumprido; o que requer trabalho, iniciativa e comprometimento; e de maneira natural é ignorado pelo indivíduo (ser humano) que é caracterizado por desejar caminhos fáceis e afáveis.

No princípio, Jó optou pela decisão de firmar-se seguramente Naquele que lhe permitiu passar por provações. E sua esposa, antagonicamente, abriu seus lábios e amaldiçoou a Deus enxergando-se no direito de reclamar por causa do tempo de amargura. Porém, Jó pleiteou (preservou) seu dever como servo e adquiriu em quantia duplicada o seu direito a posteridades.

E como sabemos quando é que o direito não é alcançado com diligência? Quando é que o que sugerimos como direito é colocado à prova de maneira duvidosa? Quando o direito requer algo de forma furtiva. Desonesta!

Deus em um diálogo com Seu povo no Antigo Testamento (registrado no Livro de Miquéias), coloca sobre a mesa os direitos e deveres que os chefes e profetas deveriam cumprir. Para praticar os direitos fundamentais é necessário exercer deveres indispensáveis. No versículo nove de Malaquias 3, Deus aponta a perversões de direito. Inclusive, o direito de ‘não exercer’ os deveres.

Jó conversando com um de seus três companheiros ao enfrentar um momento tão delicado, escuta uma interrogação forte de um dos, Bildade: “Perverteria Deus o direito, e perverteria o Todo-Poderoso a justiça?” Em resposta a tais palavras permaneceu como homem reto que sempre se desviava do mal (Jó 8:3). Não estava na alma de Jó inverter os direitos do Altíssimo. Jó apenas queria cumprir com o dever da obediência, ainda que cumprir com ele lhe custasse a vida. Por isso Jó permaneceu no cumprimento de seu dever como cristão; servo leal, sendo íntegro, tendo postura. E assim adquiriu os Direitos. Duplicados. Direitos esses que são diferentes ao conhecimento do homem.

O profeta William Branham nos mostra como os verdadeiros cidadãos (natural e espiritual) se comprazem em cumprir o que conhecem por direito, quando diz: “Uma mulher disse: “Eu tenho o direito de fazer o que quero. Esse é meu privilégio americano”. Sim, esse é teu privilégio americano; sem dúvida esse não é teu privilégio dado por Deus. Um cabrito sempre darás patadas e lutará, porém uma ovelha ficará quieta e renunciará a todos seus direitos. Vê você? Se você é um verdadeiro filho de Deus, renunciará a seus direitos americanos e se renderá ao Espírito Santo, e permitirá a Ele moldá-lo e fazer de você o que deve ser feito. “Uma vez mais Senhor”.
Mensagem ‘Somente Uma Vez Mais’, parágrafo 143 – 20/01/1963

Diante da autonomia de alguma pessoa, especialmente de um cristão pode surgir uma pergunta: “Não se tem direito, então?” O profeta responde dizendo:
“Você não tem nenhum direito! Você é comprado por um preço, esse foi o preço do precioso Sangue do Filho de Deus. Você não tem nenhum direito legal. Aleluia! O único direito que você tem, é, vir para a Fonte transbordante com o Sangue que emana das Veias de Emanuel, quando os pecadores mergulham debaixo da torrente que dissolve toda a sua mancha de culpa. Sim, senhor. Esse é o único direito que você tem, é uma renúncia da própria vontade, para Deus, e então Deus faz a liderança daí por diante. Isso é o que faz o encontro… Isso é o que causa tantas coisas estranhas. O Espírito Santo se moverá para um lugar, o Espírito Santo dirá: “Isto não é correto. Pare o encontro, mova-se adiante.” Eu pararei isto, também, irmão, mova-se imediatamente adiante. Isso é correto, porque você tem que ser dirigido pelo Espírito de Deus. E a única maneira de ser dirigido pelo Espírito de Deus, é manter-se dócil, não conhecer muito.”
Mensagem ‘A Igreja e Sua Condição’, parágrafo 97 – 05/08/1956

São Pedro, um dos três apóstolos um aluno das Boas Novas e atuante pescador de almas e que acompanhou de pertinho todas as ações de Cristo, disse em I Pedro 2:18-19:“Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau; porque é coisa agradável que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente”.

Tem direito maior que estar ao lado do primogênito de toda criação (Colossenses 1; 15), cear nas Bodas do Cordeiro (Apocalipse 19:9) e morar eternamente com o Rei dos Reis (Apocalipse 19:16), Aquele que é Criador dos céus e da terra (Salmos 146:6), Justo Juiz (Salmos 7:11) e Todo-Poderoso (Apocalipse 4:8)?

É preciso prosseguir no caminho dos ‘critérios’ conhecidos como ‘deveres’. São Paulo ao escrever aos Tessalonicenses deixa explícito alguns dos principais deveres que iriam torná-los verdadeiros cidadãos celestiais. E é com esse mesmo propósito que devemos aproveitar as oportunidades de pegar as nossas Bíblias e com dedicação conhecermos o que foi registrado em I Tessalonicenses 5 a partir do versículo 15: ”Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos.” (..).

Redação Assim Está Escrito

Comentários(4)

  1. Responder
    Sara Maria Gonçalves says:

    Sem comentários 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

  2. Responder
    Geralda Guimarães Rodrigues says:

    Maravilhoso este texto, nos ensina o agir corretos e nos convidando a ler mais as escrituras e por em pratica o que lemos

  3. Responder
    Ir Marcelo says:

    Amém, que Deus nos dê mais de sua graça a cada dia para sermos bons servos.

  4. Responder
    William Branham Martins de Barros says:

    Maravilhoso. Muito edificante, me trouxe profundas reflexões.

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