Como Andam Seus Velhos? Parte II | Assim Está Escrito

O momento é urge para iniciarmos uma mudança em nosso modo de como vemos o viver de nossos e nossas mestres. Todos nós iremos ser velhos na estrada de nossas vidas.

Olá preciosos!

Saudações, saúde!

Continuando…

Recentemente recebi duas pessoas para dialogar um pouco em meu serviço. A primeira, era a filha em uma idade adulta, ali por volta do 45 anos, falando um pouco de sua mãe, ao lado, de oitenta e poucos, vendo esta como, ora ansiosa, ora agitada. Que cenário! Antes era a mãe que levava a filha, o filho aos profissionais de saúde; agora, são os filhos que arrastam seus pais.

Seguindo, o diálogo com a matriarca referida acima e agora sozinha, muda tudo que é visto por fora, muitas vezes, por nós mesmos. Pensa comigo: uma mãe, um pai que trabalhou a vida toda, que nunca deixou de realizar seus objetivos (e de seus filhos), sempre avante com seus deveres e obrigações, nunca deixando de pagar suas contas, cuidados de filhos, netos e bisnetos, buscando manter saudável o nome daquela família, e depois de aposentados, ainda realizando uma renda monetária para financiar, boa parte das vezes, um produto que sequer vai usufruir dele.

Ser paralisado forçadamente sua vida em virtude de sua condição de saúde e ser trancafiado dentro de casa e não poder jamais passar agir como antes, abruptamente, nem sequer passar um pano para limpar sua sala. Não dá outro resultado como conflito com a própria história: ansiedade, pânico, tristeza, angústia, estresse e aparecimento de enfermidade emocionais.

Está se tornando cada vez mais comum a prática de afastarmos dos nossos pais e avós por considera-los enjoados, antipáticos, antissociais, frescos, inábil socialmente, cabeça fechada, ranzinza, incapaz… Vou me obrigar a parar por aqui, pois automaticamente as palavras vão aparecendo na mente.

Se os nossos velhos ficam quietos em seus quartos eles estão com depressão, infelizes e com dores pelo corpo. Se nossos velhos vão ajudar na organização de casa eles estão estorvando, porque o médico disse para não fazer movimentos bruscos. Podem cair e quebrar algum osso do corpo.

Afinal de conta, como queremos que os nossos velhos reajam? Nós mesmos modulamos seus comportamentos! E ainda queremos que eles fiquem sorrindo o tempo todo como se nada tivesse acontecido.

Ao levarmos nossos e nossas mestres aos médicos (o cardiologista, o geriatra, o urologista…) sigamos fielmente as recomendações destes profissionais, mas, não invalidemos suas histórias, suas experiências, suas lembranças. Isso sufoca suas memórias, abalam suas referências, eliminam suas autoconfianças.

Em tempo, lembra de já ter pensado sobre o cenário que os nossos entes queridos, que alcançados pelo avançar da idade, vem vivenciando com a força do tempo? Preconceitos, dificuldades de aceitar o envelhecimento, sentimento de inutilidade, processos dolorosos de institucionalização podem conviver diuturnamente com população desta faixa etária.

Se conseguirmos olhar por este ângulo é bem possível conseguirmos muito mais cuidar dos nossos pais e avós do que encostá-los em um canto da casa, da vida. Por exemplo, há fatores que se mostram um risco para o desenvolvimento de comorbidades intensas para pessoas destas idades, como a depressão. Se ainda não é de conhecimento claro, isso ocorre, e ocorre com muito mais frequência após o advento da pandemia a qual ainda estamos pagando alto pelo impacto na sociedade.

Os fatores incluem: comorbidades médicas (doenças que apresentam disfunção cognitiva, doenças cardiovasculares, endócrinas), perda da autonomia, perdas outras ao longo do desenvolvimento (viuvez, luto, abandono).

A fase comumente conhecida como terceira idade se destaca, entre outros pontos, o modo como uma pessoa nesta faixa etária pode conviver com variações de quadros depressivos, tais como a somatização, dor (relacionada a fibromilagia), ansiedade, apresentação de distúrbio cognitivo, atípica e outros casos, psicótica (uma espécie de depressão maior com suspeita de delírios e alucinações).

Ainda neste ponto de observar o contexto de uma pessoa idosa, dentro do tema depressão, nessa fase da vida a pessoa pode demonstrar menos humor depressivo e mais anedonia (ausência de prazer, inclusive para realizar atividades do dia a dia) e sintomas somáticos, trazendo uma aparição reduzida de sintomas psicológicos. A questão é que um número considerável não é diagnosticado e assim, fica sem tratamento, podendo acarretar em uma piora global da qualidade de vida e até internações sucessivas.

Lembremos, ‘Em 20 ou 30 anos a faixa etária que corresponde ao idoso representará aproximadamente mais de 30% da população geral.’ Estamos preparado para isso?

O momento é urge para iniciarmos uma mudança em nosso modo de como vemos o viver de nossos e nossas mestres. Todos nós iremos ser velhos na estrada de nossas vidas.

 Alinhar a velhice com fragilidade, inutilidade e peso em excesso precisa ser combatido com veemência e de maneira constante. As próprias pessoas que possuem uma idade avançada já podem apresentar um grande estereótipo em relação à sociedade da qual não mais são referências. Isso por si só já soma grandemente a insatisfação com a vida.

Então, quando olharmos para uma pessoa que possui em suas mãos uma história marcante, uma vida de vínculos profundos, um registro impactante de sentimentos, um pregresso sólido e de respeito, sejamos benevolentes, contidos, sóbrios e continentes.

 A brandura muda o quadro desorganizado, a paciência ameniza a raiva secular, a sabedoria acalma a agitação sem fim. Cuidemos de nossos velhos, são patrimônio de nossas vidas, peças fundamentais de nossas existências, onde encontramos o nosso motivo de perpetuar um belo zelo pelo outro.

Quer saber como você se cuida na vida? Veja como você trata seus pais, seus avós… Não é juízo de valor, apenas, oportunidade de reflexão!

Espero te ver em breve por aqui de novo!

Tiago José

Tiago José

Sou o irmão Tiago José, um estudante das Ciências Humanas, formado em Psicologia e em formação nas áreas correlacionadas do conhecimento, onde a prática e a teoria se tornam cotidianas, principalmente na convivência com as pessoas com quem passamos a maior parte do nosso dia, de nossas vidas. Por esse oportuno espaço se encontrará um ambiente para desenvolvermos juntos a virtude da sensibilidade que proporciona o conhecimento de que cada pessoa possui sua particular história, e a partir daí, seus impactos e resultados. A dinâmica psíquica também será abordada em nossas falas.


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