Síntese do Culto
Pregador: Pr. Wanderley Vilaça
Leitura Bíblica: Levíticos 25; | Efésios 04.
Ainda seguindo a linha de pensamento dos nossos cultos anteriores, como já aprendemos anteriormente, o livro de Efésios é para nós, assim como o livro de Josué é para os judeus: um livro de possessão de promessas. Portanto, o objetivo deste estudo é compreender um pouco mais sobre as promessas destinadas a nós, gentios, e como mantê-las em nosso meio.
Para introduzirmos o tema, retomemos o que já foi aprendido ao longo desta sequência de ensinamentos. No livro de Josué, encontramos o povo de Israel tomando posse de sua herança — a terra prometida, Canaã. Todavia, essa terra precisou ser conquistada por meio de batalhas e guerras, pouco a pouco, até chegarmos aos dias atuais, em que ainda há conflitos naquela região. Nações continuam em guerra, tentando usurpar a herança que Deus concedeu àquele povo.
De forma análoga, como aprendemos, a promessa reservada a nós não é uma terra natural, humanamente falando, mas, conforme revelado pelo profeta, nossa terra é o Espírito Santo. Assim como naquela terra ainda há batalhas, nós, mesmo em posse de nossa Promessa, devemos lutar diariamente para mantê-la e permanecer firmes em nossa posição. Por esse motivo, ao lermos Efésios 4:1, encontramos a exortação do apóstolo Paulo: “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados.”
Entretanto, para compreendermos melhor essa comparação, não podemos nos limitar ao livro de Josué, pois ali já era o tempo de batalhas e de possessão da terra. Para um entendimento mais profundo, devemos voltar algumas páginas de nossas Bíblias e considerar o livro de Levítico, onde Deus dá instruções a Moisés, durante a peregrinação de Israel pelo deserto, sobre como o povo deveria se conduzir ao tomar posse de Canaã.
Para nós, assim como para aquele povo, também foram dados ensinamentos e mandamentos sobre como devemos agir para alcançar ou manter o Espírito Santo em nosso meio. Viver de qualquer maneira não é o que Deus deseja. A vida cristã exige entrega constante, um desejo genuíno de mudança, que nasce do reconhecimento do erro e do arrependimento. E, assim, ao obtermos a herança, é nesse momento que as batalhas em nossas vidas começam.
Mas como alcançaremos essa promessa? Para isso, continuemos a leitura de Efésios 4, a partir do versículo 2. Após a exortação de Paulo para que andemos de maneira digna da vocação à qual Cristo nos chamou, somos orientados a cultivar humildade, mansidão e longanimidade, suportando uns aos outros em amor, para que, dessa forma, guardemos a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
Destrinchamos um pouco mais o versículo supracitado para compreendermos, de maneira mais clara, os ensinamentos de Paulo, mantendo o pensamento de que o Espírito Santo é nossa herança. Como já nos foi ensinado pelo profeta, o Espírito Santo é sensível, como uma pomba, e não suporta movimentos bruscos, ambientes hostis ou atmosferas negativas. Portanto, conforme orienta o apóstolo, para mantê-Lo em nossas vidas é necessário cultivar boas ações uns para com os outros, sendo mansos e amáveis.
Esse mesmo Deus que posicionou as tribos e designou suas funções em Canaã, hoje também nos vocacionou de formas distintas para atuarmos em diferentes áreas. Ele Se distribuiu e Se derramou em cada um de Seus filhos, concedendo dons diversos, com o propósito de aperfeiçoar os santos e promover a unidade da fé, para que cresçamos em maturidade e não sejamos inconstantes na fé, levados por falsas doutrinas.
Adentrando agora em Levítico 25, encontramos a abertura da Lei de Deus enviada àquele povo por meio de Moisés, e posteriormente colocada em prática por Josué. A partir do versículo 2, vemos a ordenança divina para que a terra tivesse períodos de descanso. Ao atentarmos para as Escrituras, percebemos que, em nenhum momento, como consequência desse mandamento, houve escassez de alimento para o povo, pois Deus sempre enviava provisão em abundância para suprir todas as suas necessidades.
Como já compreendemos o significado dessa “terra” para nós, ao substituirmos as palavras dessa ordenança, poderíamos entender que se trata de dar descanso ao Espírito Santo? Esse mandamento é obedecido em nossas vidas quando tomamos posse da Palavra e nos prontificamos a agir, confiando que Deus irá suprir — em vez de esperarmos passivamente que Ele aja.
É como a nossa vida natural e seu ciclo: nascemos, crescemos, trabalhamos e multiplicamos. Mas, com a chegada da velhice, é tempo de parar e descansar. Todavia, isso só será possível se tivermos feito o planejamento correto para esse tempo — educando nossos filhos, ensinando-lhes a responsabilidade de contribuir e ajudar — para que, futuramente, esses encargos não estejam mais sobre nossos ombros, em momentos em que já não temos forças para suportá-los. Só assim poderemos verdadeiramente descansar.
Dando continuidade à leitura, no versículo 14 está escrito:
“E quando venderdes alguma coisa ao vosso próximo, ou a comprardes da mão do vosso próximo, ninguém engane a seu irmão.” Aqui encontramos um chamado à avaliação de nossas vidas: no trato com nossos irmãos, temos agido de forma justa? Diante de uma bênção concedida por Deus a um irmão — seja ela natural ou espiritual — não tentamos, com astúcia, usurpá-la? Por esse motivo, não podemos ser leigos; é necessária consciência e entendimento para administrar as bênçãos que Deus nos confiou.
Agora, a partir do versículo 25, ainda do mesmo capítulo, encontramos o mandamento da redenção do fraco: o ato de estender a mão àquele que se encontra em erro, de socorrê-lo, de buscar em abundância para compartilhar com quem tem falta (assim como em Efésios 4:38), e o ensinamento de não tornar alguém escravo de seu próprio erro por meio da manipulação, apenas porque esse erro é conhecido por nós. Resgatar — seja quem for, familiares ou simplesmente amigos — é nosso dever como parentes redentores: socorrê-los.
Esses são os mandamentos do nosso Deus, Aquele que nos tirou da terra do Egito (o mundo) e nos livrou da vaidade dos nossos sentidos e da terra que conduz à dissolução. Ao seguirmos Seus mandamentos, habitaremos seguros no Espírito Santo, pois Ele dará Seus frutos mesmo em tempos sem plantação, simplesmente porque Deus já ordenou.
Portanto, busquemos a unanimidade, afastando-nos da mentira, da ira e de sua manifestação. Que não saiam de nossas bocas palavras enganosas, nem demos lugar à amargura, à gritaria, à blasfêmia ou à malícia, para que o diabo não encontre espaço em nosso meio e não entristeçamos o Espírito Santo. Antes, sejamos uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-nos mutuamente, assim como Cristo nos perdoou. (Efésios 4:25–32)
