Síntese do Culto
Pregador: Pr. Wanderley Vilaça
Leitura Bíblica: Mateus 16, João 18, Lucas 22, João 21 e Atos 2
Mensagens Citadas: Três Classes de Crentes, Crendo em Deus.
Falando acerca do ajuntamento de pessoas no contexto cristão-religioso, ao pregar a mensagem “Três Classes de Crentes” , o irmão Branham ensina que há três classes de pessoas: o cristão genuíno, o manufaturado e o incrédulo.
Ao analisarmos as passagens bíblicas em que o próprio Senhor Jesus, Deus em carne humana, esteve presente entre os homens, podemos perceber que essas três classes de crentes se manifestaram ao longo de Seu Ministério. Hoje, da mesma forma, durante a caminhada, o povo de Deus está diante da mesma realdade.
Contudo, embora haja três classes de crentes, esta meditação tem como foco um grupo seleto: os crentes genuínos.
Talvez, ao pensarmos nesse grupo, venham logo à mente exemplos como Abraão, Moisés e Jó – homens notáveis na fé. Entretanto, ao pregar a mensagem mencionada, o profeta toma a figura de Pedro para representar esse povo escolhido.
Aos olhos naturais, pareceria incorreto que um homem de gênio impulsivo e índole impetuosa, como Pedro, recebesse um ministério de tamanha importância, representando a classe dos cristãos genuínos. Isso, certamente, pode despertar certa indagação, pois, ao ponderarmos sobre os acontecimentos da vida de Pedro, identificamos semelhanças com episódios da nossa própria vida. Lutas, falhas e contendas são experiências reais nos quais nos enquadramos e, muitas vezes, nos vemos refletidos nesse mesmo personagem.
Tomando algumas Escrituras, observamos alguns momentos na vida de Pedro.
Em São Mateus 16:15-16 , por exemplo, vemos a revelação que Pedro recebeu de Deus, quando o Senhor Jesus perguntou: “[…] E vós, quem dizeis que eu sou?”, e ele, sem hesitar, respondeu: “[…] Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Nesse momento, por meio do reconhecimento de quem era Jesus, Pedro encontrou sua identificação como integrante dessa classe de crentes genuínos. A capacidade de discernir a atuação de Deus, ainda que manifestada por meios e pessoas distintas, é reservada apenas aos Seus filhos.
Nada obstante, logo após esse episódio, encontramos Pedro em João 18:10. Após Judas trair Jesus, no momento em que vieram prendê-Lo, Pedro, num ímpeto de defender o Mestre, decepa a orelha do servo do sumo sacerdote. Ao vermos tal temperamento, poderíamos novamente questionar sua conduta. Contudo, se olharmos para nossas próprias vidas, quantas vezes, movidos por nosso próprio ímpeto e zelo mal direcionado, discutimos, debatemos e contendemos com nossos irmãos? Por causa de tais atitudes, em algum momento fomos desconsiderados como filhos?
Mais adiante, em Lucas 22:55-60 , o mesmo Pedro – que fora divinamente inspirado e recebera as chaves do Reino dos Céus – nega Jesus Cristo três vezes. O homem que reconhecera o Filho de Deus agora afirma não conhecê-Lo.
À primeira vista, essa figura como representação do crente genuíno pode causar estranheza. Contudo, se os exemplos bíblicos fossem compostos apenas por vidas intocáveis, com quem poderíamos nos identificar?
É inegável que todos nós, em algum momento, já negamos a Cristo – talvez não com palavras, mas com atitudes e comportamentos que não refletem uma vida cristã autêntica. Ainda assim, como Pedro, não deixamos de ser filhos de Deus. Pelo contrário: foi por esse mesmo Pedro, e por cada um de nós, que Jesus entregou Sua vida, pagando o preço de nossos erros, nos justificando.
Após todos esses acontecimentos – acertos e erros na vida de Pedro – e a ressurreição de Jesus, lemos em João 21:15-19 o chamado de Cristo a Pedro para apascentar Suas ovelhas, vindicando um ministério que, aos olhos humanos, poderia parecer inadequado. Da mesma forma, após nossas transgressões, Cristo nos capacita e comissiona cada um de nós a exercer diferentes funções – não como classes distintas, mas como um só corpo, com atuações diversas.
Todas essas etapas culminam em Atos 2, quando, depois da ascensão de Jesus, Pedro e todos aqueles que haviam recebido a revelação de quem era Jesus, identificando-O, receberam a expressão daquilo em que criam: a manifestação do Espírito Santo. A partir de então, o mesmo Filho do Homem passou a atuar em cada um deles.
No entanto, essa promessa não se encerrou naquele dia de Pentecostes, pois está escrito:
“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.” (Atos 2:39)
Contudo, como já foi mencionado, em todo ajuntamento existem três tipos de pessoas: os genuínos, que andam pelo caminho preparado por Deus e que, embora errem, possuem o Espírito de Deus e se identificam com os acontecimentos da vida de Pedro aqui descritos; os incrédulos, que nem sequer conseguem andar nesse caminho, como muitos que abandonaram Jesus quando Ele começou a abrir a Palavra e os manufaturados, que permanecem na caminhada por algum tempo e se assemelham muito a um cristão genuíno, todavia, pela dureza e pela resistência em não reconhecer a Cristo e aceitar toda a Sua Palavra, não conseguem permanecer.
Portanto, ao se aproximar o final do Plano de Deus, todos os atores desta dramaturgia estão posicionados, cada um pronto para o papel que irá representar. Agora, cabe a você decidir e identificar em qual grupo se enquadra.
“Agora, esse é um crente genuíno, quando o Espírito Santo; não alguém persuadido por alguma outra pessoa, não por alguma outra coisa. Mas quando o Espírito Santo lhe tem revelado a Própria Palavra, e você vê a Palavra com clareza, vindicada; então o Espírito de Deus vem e entra nessa era, para a Palavra para essa era, e a manifesta.”
Três Classes de Crentes §61
