Síntese do Culto
Pregador: Pr. Wanderley Vilaça
Leitura Bíblica: Jó 42:1-6
Mensagem Citada: Ouvi, Mas Agora Vejo
Em Hebreus 11, diz que Abraão recebeu Isaque dentre os mortos, quando, na realidade, ele não matou Isaque, mas Deus considerou a intenção de Abraão. Ao imaginar a cena de Abraão subindo com o menino para o monte, não é possível colocar tristeza nesse quadro, pois a convicção que Abraão tinha de que voltaria com seu filho tirava toda possibilidade de tristeza. Como isso seria feito, ele não sabia, mas estava confiante de que Deus lhe devolveria seu filho e proveria o sacrifício correto, que não era um menino, e sim um cordeiro. Deus ordenou, e Abraão O obedeceu; por isso, para Deus, foi como se ele tivesse devolvido Isaque dentre os mortos a Abraão.
Em nossa meditação, Jó também foi como um ressuscitado, pois perdeu tudo o que tinha e podia sentir a morte se aproximar. Jó não podia morrer naquele momento, pois foi uma ordem de Deus a Satanás que não tocasse em sua vida. No entanto, Jó não tinha conhecimento disso; portanto, para ele, aquele era o fim. Em meio àquele momento horrível, sentado à sombra de uma árvore, ele observou as folhas caírem e voltarem à terra, para depois nascerem novamente na árvore. Assim, teve a revelação da ressurreição e glorificou a Deus.
Naquele momento, o propósito de Satanás falhou, pois Jó aceitou sua condição, não negou sua fé nem blasfemou contra Deus. Dali em diante, Deus expulsa Satanás e mostra que ele não tem poder algum, pois, mesmo diante de tudo o que fez para afligir Jó, não conseguiu fazê-lo negar a fé.
Assim deve ser conosco: Satanás pode tocar em nossos bens, mas jamais nos fará negar a Palavra, pois fomos criados por ela; portanto, somos parte dela. Satanás não pode nos separar dela. Ele é um fracassado, e cremos que, mesmo arrasados, podemos descansar, pois Ele nos restaurará.
Ao lermos Jó, capítulo 29, vemos que ele reconhece não estar naquela situação horrível por causa de um pecado; ao contrário, reconhece suas próprias qualidades. Porém, no capítulo 42, percebe que nada é diante da sabedoria de Deus e, então, pede que o Senhor o ensine.
Na Mensagem ‘Ouvi, Mas Agora Vejo’, no parágrafo 82, o profeta diz: “Ele tinha um canal de comunicação com Deus, que ele obteve por inspiração. Ele tinha uma forma de sair do caminho, e deixar Deus vir. E ele sabia que ele era justificado. Isto era um dom, isto era um dom para o povo; não para Jó, mas para o povo. É para isto que todos os dons Divinos são, para servir ao povo de Deus. Não são todos ordenados a ser um profeta. Todos vocês não são ordenados a orar pelos enfermos. Nem todos são ordenados a serem pastores, e assim por diante. Mas é um canal que Deus lhes tem aberto.”.
Nós, cristãos que desejamos ser vencedores, devemos ter esse canal limpo e aberto para falar com Deus, e Ele conosco. Quando confessamos que somos um dom de Deus para o povo, Ele nos usa em benefício do Seu povo, mesmo quando nós próprios não somos os beneficiados. Mas Ele nos trouxe aqui para servir ao Seu povo. O profeta diz que “vida eterna, é viver para os outros”.
Já no parágrafo 83, o profeta fala sobre quando Davi tentou trazer a arca de volta. Ele era o homem segundo o coração de Deus e, por isso, sentiu-se inspirado a realizar tal tarefa. No entanto, não era para ser feito daquela forma, pois Davi não era o homem certo para isso. Os grandes erros costumam vir de pessoas influentes, que ganham poder e então pensam que podem fazer qualquer coisa, até mesmo corromper aquilo que um dia foi bom.
Davi era poderoso na batalha, músicas foram compostas em sua homenagem, ele fortaleceu o reino, recebeu de Deus o projeto do templo e, com isso, decidiu trazer a arca. Porém, ele não era a pessoa adequada para essa missão, já que a maior ordem para receber a Palavra é um profeta.
Voltando a Jó, o profeta diz que, naquele momento de prova, ele não obteve nenhuma palavra de Deus; mas, mesmo assim, Satanás não pôde movê-lo. Devemos refletir: quanto tempo podemos suportar uma batalha, mantendo-nos fiéis, com Deus em silêncio?
Sendo cristãos verdadeiros devemos nos manter fiéis desde o dia em que Deus nos deu uma palavra até o fim, mesmo que seja apenas uma palavra de Deus. E tendo recebido constantemente a Palavra, Satanás não pode ter poder para nos mover, assim como foi com Jó. O profeta prega sobre sua vida e nos coloca nesse quadro, para que possamos dizer: “Eu ouvia, mas agora vejo”. Devemos crer que, se Ele disse algo, não importam as circunstâncias: isso acontecerá.
Simeão creu que veria a Deus. Ele não viu Jesus pregando, realizando milagres ou consumando a obra no Calvário; viu um pequeno bebê, mas sabia que aquele era a Salvação, e aquilo lhe bastou. Por isso, disse que podia morrer em paz, pois seus olhos viram a Salvação. Se Deus disse, está concluído, mesmo que com apenas uma palavra.
O sacrifício de Jesus tem efeito desde o momento em que foi consumado até a chegada do último eleito, mas também alcançou o princípio, trazendo do paraíso todos os santos que creram n’Ele, em suas diferentes formas, e que não rejeitaram a Palavra. Jesus vem trazendo-os de lá, e eles vêm mudando de forma, como o profeta conta na experiência que teve além da cortina do tempo: uma jovem mulher que ele encontra, que foi guiada ao Senhor Jesus aos seus 90 anos e agora se encontrava jovem. E sua pequena filha, que morreu ainda criança, agora é uma moça crescida.
Eles foram ressuscitados, mas que grande graça nós, que seremos arrebatados, recebemos: não passar pela experiência da morte, apenas ter nossos corpos transformados e, então, nos juntarmos a eles para irmos para a Glória.
No parágrafo 88, o profeta fala a respeito da mecânica, que é quando colocamos nossas vidas em ordem, avaliamos os erros, nos arrependemos e então os consertamos. Em seguida, o Espírito Santo vem com a dinâmica, como uma faísca que incendeia tudo, nos capacitando a fazer qualquer coisa.
O problema é que é muito difícil convencer alguém de que está errado, pois as pessoas sempre têm alguma desculpa para justificar seus erros. Mas, quando confessamos nossos erros e nos lembramos daquele Cordeiro que fez o sacrifício perfeito, podemos expulsar qualquer demônio que nos faz errar e, assim, aprender de Deus a viver da maneira correta. Por isso, vamos aos cultos: não para apenas nos vermos, mas para aprender de Deus.
Assim como Jó, um homem muitíssimo sábio, que reconheceu sua pequenez diante da sabedoria de Deus e se assentou para aprender Dele. Jó esperou até o momento em que Deus lhe respondeu. Mesmo quando, como diz o profeta, o diabo entrou em todos os seus amigos para fazê-lo pecar, Jó não cedeu. Provavelmente, passaremos por momentos difíceis, mas não tentemos sair de nossos problemas antes da hora.
Precisamos nos ver como eleitos, ou ninguém mais nos verá assim. Mas, se temos convicção, ninguém nos tira isso. Podemos chegar até o fim como vencedores; se algo nos derrubar, levantaremos outra vez.
Se morrermos, seremos ressuscitados e arrebatados, pois temos lutado com tudo o que há em nós para receber a melhor ressurreição, que é sermos transformados. Se enfrentarmos problemas, e Satanás agir por meio de nossos amigos, não lhe demos espaço; mantenhamo-nos firmes. Sejamos cristãos que ouvimos, mas que agora vemos.
A fé vem pelo ouvir da Palavra, mas agora é tempo de vermos essa Palavra. A visão é o “Assim Diz o Senhor”: quando Deus nos mostra algo, aquilo não pode voltar atrás. Não importa quanto tempo demore, aquilo tem que acontecer.