Síntese do Culto
Pregador: Pr. Wanderley Vilaça
Leitura Bíblica: Deuteronômio 16
Mensagem Lida: O Único Lugar de Adoração Provido Por Deus
Em Deuteronômio 16:1-2, Deus ordena que os filhos de Israel guardem o mês de Abibe (que, para nós, corresponde a abril) como o primeiro mês deles, pois foi quando o Senhor os libertou. Vemos também que Ele determina qual será o sacrifício, o lugar do sacrifício e o modo de sacrificar. Ao compreender isso, podemos aplicar às nossas vidas: o primeiro dia da nossa verdadeira existência foi aquele em que Deus nos tirou do mundo. Esse deve ser considerado, por um cristão, o primeiro dia de sua vida. O que veio antes nem pode ser chamado de vida, pois não havia Cristo.
Ao pensarmos nesse primeiro dia, vem à mente o dia do batismo. No entanto, muitas pessoas se batizam e só experimentam o novo nascimento após uma experiência pessoal com o Senhor. Esse primeiro dia acontece após uma vivência espiritual profunda, quando alcançamos um nível de intimidade em que existem apenas nós e Deus — como marido e mulher. É quando a Palavra se abre para nós e compreendemos a Mensagem de tal forma que Deus pode Se revelar diante de nós.
Quando acontece esse casamento, a Noiva se torna uma com Cristo, pois ela recebe a plenitude Dele sobre si, transformando-se assim no lugar de adoração para o Senhor. Mas é necessário ter revelação para entender que não se deve adorar pessoas ao ver a manifestação de Deus nelas, mas sim adorar a Deus por Suas maravilhas. Essa revelação só é recebida por aqueles que acolhem o profeta com galardão de profeta, que recebem sua mensagem e o reconhecem como mensageiro, entendendo que ele está sendo usado por Deus para cumprir esse propósito (Amós 3:7).
Mas por que Deus fala com os profetas e não diretamente com Seu povo? O profeta William Branham afirma que a Presença de Deus está além do espanto, além do medo, e todas as células do corpo tremem de pavor. Todos os relatos bíblicos que descrevem homens de Deus encontrando-se com Sua Presença são sempre retratados como experiências tão intensas que chegam a tirar até mesmo as forças do corpo.
Por isso, Deus filtra a Si mesmo, enviando Sua mensagem através de um homem, para que possamos receber Sua Palavra sem sermos consumidos. Se Ele viesse em Sua Gloriosa Presença, nos consumiria por completo. Através de um mensageiro, Ele pode vir e nos colocar em posição para alcançarmos uma vida santa, ao ponto de nos tornarmos o lugar de habitação Dele.
De acordo com Colossenses 2:9, em Jesus Cristo habitou toda a plenitude da divindade. Essa plenitude não habitava no profeta, mas a plenitude da Palavra habitava nele. A plenitude da divindade em Cristo O fazia um ser divino, enquanto a plenitude da Palavra no profeta o tornava um recipiente da divindade, onde Deus podia habitar e Se manifestar para falar conosco. E, na igreja que será arrebatada, também habitará a plenitude da divindade, pois ela é a Noiva Palavra. Ela se torna a Palavra, e na Palavra habita toda a divindade do Senhor.
“… A coisa sobre a qual quero falar esta manhã é que Deus tem somente um lugar em que o adorador pode encontrar Deus, somente um lugar. No decorrer das eras muitos têm buscado este lugar secreto de Deus, no decorrer de todas as eras. Até mesmo Jó queria saber onde Ele morava: “Se eu somente pudesse ir à Sua casa e bater em Sua porta.” Jó queria encontrar o lugar de habitação de Deus, porque ali Deus e Sua família são adorados juntos.” – O Único Lugar de Adoração Provido Por Deus §48
Por isso, neste parágrafo, o profeta diz que Jó queria encontrar o lugar de adoração onde Deus e Sua Família são adorados juntos. A Noiva e Cristo se tornam um, e Ela se torna digna de ser adorada como Cristo é. Pois, quando Ele deixa a Terra em corpo físico, teria que voltar novamente — não como Filho de Deus, mas no ministério do Filho do Homem. Agora, não como chuva para justos e injustos, mas com uma mensagem de revelação apenas para os Seus, através do mensageiro da era.
Aprofundando a nossa meditação, a liteira descrita em Cantares 3:6-10, é uma espécie de cadeira portátil – revestida de ouro, e o ouro representa a divindade – que pode ser carregada por homens. Sabemos que as caminhadas no deserto não são nada fáceis nem prazerosas. O reinado de Salomão foi marcado por tamanho luxo que o acompanhava. No deserto, uma cortina de fumaça perfumada o seguia. Não havia perigos que o atingissem, pois estava cercado por seus soldados, e o amor de suas esposas o acompanhava durante toda a viagem.
Suas esposas estavam ao seu redor, emanando amor. Por onde ele ia, carregava consigo a unção de seu palácio. Assim também deve ser conosco: devemos estar tão entregues a Deus, de modo que nossa oferta emane de nossas vidas, e tudo suba como cheiro suave perante o Senhor. Nossas vidas devem ser como cortinas de fumaça perfumadas na Presença Dele, pois somos os enfeites que Ele deseja ver.
A Bíblia diz que as ruas do céu são de ouro e cristais. Mas, para Deus, nós somos mais valiosos que qualquer riqueza. Como esse ouro tem representação divina, é como se Ele estivesse nos dizendo para pisarmos Nele e O termos como base para nossas vidas. Ele quer que andemos sobre essa Divindade.
Muitas pessoas podem pensar que isso é algum tipo de afronta — “pisar em Deus” —, mas em Efésios 6 nos foi dito para “calçarmos os pés com o evangelho da paz”. E o Evangelho é Deus. Se não estivermos calçados com Ele, então morreremos. Muitos querem colocar Deus apenas em suas mentes, mas não como base. Na cabeça, devemos ter o capacete da salvação; e nos pés, firmados em Cristo, pois é a nossa posição que garante a nossa força.
Olhemos para Moisés, quando se encontrou com a sarça ardente, Deus ordenou que ele tirasse as sandálias e pisasse diretamente Nele, que era aquela terra santa. Deus estava ali e queria ter contato direto com Moisés. Naturalmente falando, recebemos inúmeros nutrientes apenas ao pisar com os pés na terra. E Deus queria que Moisés pisasse diretamente ali, sem sandálias, sem isolamentos — uma intimidade direta com Deus. No entanto, muitas vezes, as pessoas colocam um isolamento entre elas e Deus, criam barreiras intelectuais, tirando de si a oportunidade de viver uma intimidade direta com o Senhor.
Na Presença de Deus é onde devemos estar totalmente livres, para que Ele possa vir e Se desvelar completamente diante de nós. Mas, assim como no natural, para haver essa intimidade é necessário ser esposa e esposo. É preciso livrar-se de todas as barreiras, entregar-se por completo, crer na Palavra do mensageiro e segui-lo ao encontro do Esposo — como fez Rebeca. Ela foi proativa e deu água para todos os camelos e para Eliezer; assim, estava dentro das respostas das orações dele. Depois, teve que crer no que ele dizia, colocar sua fé nele e apenas segui-lo. Mas ela não queria apenas a mensagem — ela queria saber sobre seu Esposo, queria saber quem Ele era, e isso aumentava suas expectativas e a fazia desejar fazer parte dele.
Assim também é conosco em nossos dias. Deus envia Seu mensageiro para nos preparar para o casamento celestial com Cristo. No momento do encontro entre o Esposo e a Esposa, o mensageiro sai de cena. Dali em diante, a intimidade é entre o casal. O mensageiro é como um véu, e o Esposo é quem está por trás do véu. Nesse momento, o Esposo se desvela diante Dela, e Ela se desvela diante Dele — não há segredos entre eles. De igual forma, não deve haver segredos entre nós e Cristo. Ele nos quer totalmente para Ele, com corações sinceros, para que possa nos levar ao lugar onde recebemos a Semente da Palavra.
O profeta nos diz que a Noiva deve ter a Palavra em si, da mesma forma como Maria teve — diretamente em seu ventre. Quando o anjo veio a ela, Maria deixou de lado todos os conceitos humanos, biológicos, físicos e mentais, e apenas disse: “Cumpra-se em mim segundo a tua palavra.”. Naquele exato momento, ela recebeu a Semente em seu ventre. E, para que possamos ter essa liberdade com Cristo, Ele vem, nos purifica e Se entrega por nós. O mistério entre Cristo e Sua Noiva é descrito em Efésios 5: “Como também Cristo vos amou e Se entregou a Si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.”.
A Palavra é a água da purificação dada por Deus, para que pudéssemos ser limpos e fazer parte do Corpo. A Palavra vem e nos corrige, mostra onde está a imundície e o pecado, para que possamos confrontar aquilo e permanecer na Presença de Deus, pois Ele não aceita imundície onde habita. Ele deseja nos apresentar a Si mesmo sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante — mas santos e irrepreensíveis diante Dele.
Ele sabe que vivemos em um mundo onde as coisas podem nos afetar, ferir e atingir — como acontecia no deserto. Então, o que Ele faz para que isso não aconteça? Nos dá “três metros de céu” para que fiquemos protegidos das ciladas de Satanás e permaneçamos perfeitos diante de Cristo.
Nossa união com Cristo é como o óleo precioso que ungia o tabernáculo em Êxodo 30. Mas esse óleo deve ser usado apenas para Cristo. Nossas vidas devem ser instrumentos ungidos, separados e usados para Deus, para que de nós possa ser extraída virtude, e tudo o que tocarmos seja curado. O profeta diz que todo cristão deve ter a virtude que saiu de Jesus quando a mulher do fluxo de sangue O tocou — a virtude de que tudo o que tocar em nós também receba cura, receba vida de Deus. Mas, para isso, nossas vidas devem ser uma constante consagração a Ele, e devemos fazer tudo conforme o Seu querer.
O lugar onde Deus se encontra com o homem é através do Sangue. E o Sangue está na Palavra, e a Palavra está em nós. Então, Deus está tratando com as pessoas hoje através de nós — cartas vivas e lidas perante os homens. A maior riqueza que Deus tem somos nós, em união, debaixo da unção da Palavra.
